Sujeito azarado

Em um bar de periferia havia muitos fregueses bebendo. Então entra um valentão, chega no balcão, pede uma dose, segura o copo e grita bem alto:

– Cambada de filho da puta! Prestem atenção! Quando eu bebo ninguém mais bebe!

Saca dois berros e faz vários disparos ao teto. Todos saem correndo. Menos um sujeitinho baixinho,sentado no canto mais distante do balcão,um copo cheio à frente. O valentão se aproxima dele. Encosta-lhe o trabuco à cabeça. Berra-lhe:

– Não me ouviu,filho da mãe? Quando eu bebo,ninguém mais bebe!

O valentão pega o copo do baixinho e bebe tudo. Então,o baixinho põe-se a chorar alto,gritando:

– Minha casa pegou fogo! Minha mulher me trai! Minha filha é puta! Meu filho é bicha! E agora este desgraçado bebe meu veneno!

Viagem de trem

Um cara entrou num trem. Ele não tinha dinheiro pra nada. Aí, sentou ao lado dele um outro cara, que ofereceu:

– Quer ganhar mil reais?

– Claro! O que é que eu tenho que fazer?

– É só ir ali e dar um tapa na cabeça daquele careca.

– Mas isso eu não posso fazer!

– Cê que sabe. Milzão taí. Querendo, é só ir lá.

Aí o sem-grana pensou que com mil reais ele pagava a passagem do trem e ainda sobrava grana. Foi lá. Deu um tabefe na cabeça do careca, que avançou nele. O sem-grana abraçou-o e disse:

– Cleyton!!! Quanto tempo, cara!

– Meu senhor, eu não sou o Cleyton!

– Não?! Pô, me desculpe. Achei que fosse um amigo meu.

Pegou a grana e sentou-se de novo. Aí, o cara do dinheiro falou:

– Quer ganhar dois mil?

– Quero! Que é que eu faço agora?

– A mesma coisa.

– Mas agora o careca vai me matar!

– Cê que sabe… Dois mil tão aí… Querendo, é so ir lá e dar um
bifa na cabeça do careca.

O sem-grana foi de novo. O careca furioso quis matá-lo. O sem-grana o abraçou outra vez:

– CLEYTON! Querendo me enganar que você não é o Cleyton! Eu te
conheço, pô! Nós estudamos o primário juntos… Namorei tua irmã! Um amigão assim a gente nunca esquece!

– Meu senhor, eu já disse que não sou o Cleyton!

– Cê tem certeza que nao é o Cleyton? Olha…

– Não sou!

– Pô, desculpe aí…

O careca ficou tão bravo que mudou de vagão. O sem-grana pegou o
dinheiro e sentou. Aí veio outra vez aquele cara e perguntou:

– Quer ganhar cinco mil?

– Querer eu quero… mas se for pra dar tapa no careca de novo, eu não vou!

– Cê que sabe… cinco mil tão aí… querendo é só ir lá.

O sem-grana pensou e foi lá no outro vagão, deu um tapa na cabeça do careca e antes que ele pudesse reagir, abraçou-o e disse:

– CLEYTON! Dei dois tapas na cabeça do careca do outro vagão pensando que fosse você, cara!